artistas | Cristina Sá, 1965
Vive e trabalha em São Paulo

   

 

 

 

 

 
   

Segue abaixo:

1: Textos dos critícos de arte
2: Curriculo da artista


Ultrapassar fronteiras é somar alteridades

O mercador e diplomata veneziano Marco Pólo desbravou a Rota da Seda no século XIII.
Percorreu um sinuoso caminho marítimo e terrestre que passou a ligar o comércio das cidades-estado de Veneza às vastidões até então inexploradas da China, singrando o Mar Mediterrâneo e ultrapassando a barreira de montanhas do Himalaia. Foi quando o Ocidente, espantado, afinal tomou contato com uma cultura de vastidões tão grandes quanto a distância geográfica que nos separa do Oriente. Um fascínio que, muitos séculos depois, ainda e sempre emociona, como demonstram as pinturas-colagens-monotipias de Cristina Sá

A artista harmoniza dois mundos. Funde, em gramática visual própria, elementos culturais extraídos tanto da tradição oriental da gravura em madeira (xilogravura) quanto da expressão pictórica ocidental contemporânea. Suas delicadas urdiduras compositivas ecoam o mundo plano da gravura chinesa, isenta dos códigos de representação da perspectiva. Ecoam motivos gráficos, sinetes heráldicos e finas caligrafias de ideogramas vindos da antiga Catai. A organização compositiva, ortogonal e modular, se faz sobre amplos espaços brancos e cuidadosa distribuição de elementos, frisando uma educação visual feita sob a influencia inalienável da historia da arte ocidental.

O encontro oriente-ocidente promovido por Cristina atrai pelo equilíbrio que a artista alcança também ao promover a fusão de outros universos aparentemente opostos: a pintura e a gravura em madeira (xilo). Enquanto na pintura há a fluidez da tinta e do gesto, na gravura há a incisão exata da matriz, que elege e determina sem hesitações todos os elementos e todos os lugares que esses elementos vão ocupar. Na xilogravura não costumam coexistir o antes e o depois: o resultado final deve estar previsto e nítido. A goiva, obediente, aprofunda em sulcos o trajeto previamente riscado na madeira. A pintura, ao contrário, só ganha feição definitiva a partir de um exercício de aproximações sucessivas dos assuntos, o que permite o apagamento do indesejado, a sobreposição de idéias, o sentimento. Na pintura, a cor é fundamental. Na gravura, é supérflua.

Em seus trabalhos, a artista pincela algumas poucas formas (vasos de porcelana, potes, bambus) como suporte e trama de fundo para uma série de acontecimentos gráficos, dispostos ou sobrepostos em primeiro plano. São monotipias e colagens de belos papéis impressos chineses, em composições organizadas pelo contraponto entre formas fechadas e abertas. Há sinuosidades que sintetizam formas vegetais e verticalidades definidas pela disposição de blocos de ideogramas. A cor age em contraponto com a sobriedade do preto das interferências de origem gráfica. Há sintonia entre a gestualidade da pintora que esboça com leveza as figuras da composição e o ritmo igualmente gestual e leve da caligrafia oriental da fina trama de golpes de pincel dos ideogramas.

É possível observar em Cristina Sá uma certa filiação à pintura de Beatriz Milhazes, o que é uma qualidade e não uma limitação. Afinal, a boa escolha de influencias está na base de toda elaboração de uma linguagem própria. É bom observar, no entanto, que Cristina não faz mimetismo. Ela estabelece uma sintonia que deixa largo espaço livre para sua expressão pessoal. Assim como, por sua vez, a pintura de Milhazes não perde as digitais pelo fato de estar sintonizada com Matisse e sua profissão de fé na pintura sedutora. Aquela pintura que escancara a beleza das cores em motivos decorativos. Algo que o pintor francês foi buscar, é bom frisar, na tapeçaria oriental e nos temas árabes.

Assim como Beatriz Milhazes, Cristina Sá adota sem preconceitos nem tabus auto-limitadores, essa vertente da arte que tem seu fulcro na ornamentação e raízes tanto na tradição barroca quanto nos arabescos islâmicos. Uma arte que corteja a retina. Mas, ao contrário de Milhazes, Cristina exercita uma paleta de tonalidades sutis e rebaixadas. A exuberância explode nos grafismos extraídos da tradição gráfica chinesa, que se multiplicam na superfície plana da composição e determinam o ritmo agitado mas contido e equilibrado de todo o conjunto.

Ao fazer sua síntese de experiências visuais e fragmentos culturais cuidadosamente recolhidos em diversas viagens à China e retrabalhados no isolamento de seu ateliê em São Paulo, Cristina Sá criou este conjunto de trabalhos que nos convidam a mergulhar em uma herança ancestral. Herança que, uma vez alcançada por Marco Pólo, passou também a nos pertencer para sempre. Desde que, sem verdades fixas nem horizontes imutáveis, estejamos dispostos a enxergar a espessura de mundo que habita a alteridade.
Texto de: Angélica de Moraes



Uma Viagem Poliglota

Os antigos diziam – chinoiserie.

Mas os traços, a ornamentação e a serenidade orientais que emanam da arte de Cristina Sá, como aparecem aí, não dizem tudo do que é capaz a sua pintura, muito pessoal e ampla no seu mosaico de citações e inspirações assumidas, Matisse com barroco, arabescos islâmicos com iconografia eslava, tributo talvez inconsciente ao seu primeiro mestre o romeno Maciej Babinski. Cristina abre suas Fusões na Galeria Ricardo Camargo, em São Paulo, neste domingo 21. É uma viagem. Como a de Marco Pólo pela Rota da Seda. Mas a arte é sempre muito mais rica do que a realidade – mesmo aquela, como a de Pólo, que incluía a fantasia
Revista Carta Capital – Novembro 2004


Ornamentos Silenciosos de Cristina Sá


Cristina Sá, que atualmente expõe uma série inédita de trabalhos na Galeria Ricardo Camargo, parece estar em busca permanente de equilíbrio, que se dá tanto no jogo entre os vários elementos que compõem sua obra como na tentativa de compor uma poética pessoal a partir de um conjunto amplo, e muitas vezes contrastante de referências.

Aluna de Maciej Babinski, formada em decoração de interiores, neta de chinês (O que talvez explique a presença constante em suas obras de elementos orientais, como a escrita chinesa, os belos papéis ornamentais que coleciona nas viagens que faz, ou a sutil representação dos bambus que estruturam o fundo das telas), ela parece tentar retirar de cada um desses substratos de sua formação elementos necessários para compor sua obra.

As técnicas são variadas, indo do registro mais tosco das monotipias (que apenas sugerem figuras, como a de leques abertos) à leveza das aguadas, passando pelas já mencionadas colagens. Surgem aqui e ali elementos tipicamente femininos, formas de mandalas – o que, segundo Angélica de Moraes, ativam na memória a obra em voga de Beatriz Milhazes. No entanto, ao contrário do exagero um tanto psicodélico e assumidamente tropicalista da pintora carioca, Cristina apenas pontua suas telas silenciosas com esses ornamentos.

É curiosa sua relação com a figura. Ela está presente em quase todos os trabalhos. Mas, com exceção de China Tropical – que destoa um pouco do restante da exposição -, serve apenas como mais um elemento de pontuação do espaço, de composição de planos silenciosos e ao mesmo tempo sedutores do olhar.

É possível notar o mesmo tipo de preocupação com o equilíbrio da composição no que se refere ao contraste entre opacidade e transparência (as aguadas contrastam com massas mais veladas de tinta, muitas vezes em sedutores tons de dourado) e no uso cuidadoso das cores. Além da pontuação delicada dos tons mais intensos na maioria dos trabalhos, Cristina parece ter resolvido melhor os trabalhos em que lida com tons mais rebaixados.

As telas mais grosseiras ou os papéis em tons de terra são mais repousantes e harmônicas.
Texto de: Maria Hirszman
Estadão Novembro 2004




Curriculo

Artista Plástica
Pintora e desenhista
Formação:
Estudou desenho durante a adolescência com o artista plástico Maciej Babinski. Concluiu em 1979 o curso de Arquitetura de Interiores e História da Arte pela Escola Panamericana de Artes.
Em 1984 estudou desenho e pintura com o professor Pedro Algaza. De 1989 a 1991 montou seu atelier de pintura em seda.
Freqüentou o atelier do artista Jorge Franco durante oito anos.
Concluiu o curso de técnica de aguadas, carvão e pastel com o artista plástico Philip Hallawell.
Atualmente tem seu próprio atelier no bairro Real Parque em São Paulo.

Exposições:

Individuais 
     
2006    Galeria Eduardo H Fernandes-São Paulo SP
2004    Galeria Ricardo Camargo- São Paulo SP
2002    MTM Design Studio- São Paulo SP
1998    Artefacto- Salvador BA
            Por Exemplo Espaço de Arte- São Paulo SP
            Espaço de Arte Moderna- Búzios RJ

Coletivas

2007   “O Olhar Crítico” Galeria Eduardo H Fernandes
            SP Arte- Feira Internacional de Arte Moderna e    
            Contemporânea de São Paulo
            Galeria Eduardo Fernandes
            Galerie Sycomore-Paris-França
2005    SP Arte-Feira Internacional de Arte Moderna e   
            Contemporanea de São Paulo
            Espaço Arte 57
            Exposição 8 anos da Galeria Slaviero e Guedes-SP
            Exposição “O Traço” na Galeria Grifo-SP
           “Cow Parade”-SP
2004    Salon Brasilis à Paris – Galerie François Marsad - 
            Paris FR
           “Diplome D’Honneur”
            Salon de la Sociétè Nationale de Beaux Arts –Carroussel du Louvre  -Paris FR
           “Diplome D’Honneur”
2003    Exposição Brasilis - Hotel Melia Higienópolis –
            São Paulo SP      
            “Figuras Humanas, Emoções e Variações” Espaço 
             Cultural do Banco Central - São Paulo SP
             Grand Marche d’Art Contemporain - Paris FR
             Salão 2003 da Sociétè Académique “Arts – Sciences -
             Lettres”- Paris FR 
            “Medalha de bronze”                                                         
             Salon Internacional du Monde de la Culture et des Arts 
             Cannes FR
            “Medalha de prata”
2002    “Contemporaniedade” Slaviero e Guedes Galeria de Arte
              São Paulo SP
1998      Art Exposition Chapel School-São Paulo SP
1997      Arte Brasileira Contemporânea-American Express Off
              Gallery-São Paulo SP
              Exposição de Arte Heublein-Caribe Escritório de Arte-
              São Paulo SP
1996      Arte Brasileira Contemporânea- American Express Off
              Gallery-São Paulo SP

Premiações:

2003      Salão da Sociétè Académique “Arts-Sciences Lettres”
              Paris-FR
              Medalha de Bronze
2003      Salon Internacional de Monde de La Culture et des Arts
              Cannes-FR
              Medalha de Prata
2004      Salon de la Sociétè Nationale de Beaux Arts-
              Carrousel du Louvre-Paris FR
              Diplome D’Honneur
2004      Salon Brasilis à Paris- Galerie François Marsad-Paris FR
              Diplome D’Honneur



 
Rua Harmonia 145 - Vila Madalena | São Paulo SP - CEP: 05435-000 | +55 11 3812-3894 /+55 11 3032-6380