artistas | Fernando Arias, 1963
vive e trabalha entre Colombia e Inglaterra

   

 

 

 

 
   

 

 

Segue abaixo:

 

1: Textos dos critícos de arte
2:
Curriculo da artista

 

 

Humanos Direitos

A obra do artista colombiano Fernando Arias (Armênia, 1963) se apoia no uso versátil de diversos materiais aplicados na instalação, na escultura, na fotografia e no vídeo. O artista tem privilegiado possibilitar a comunicação imediata dos fatos contemporâneos, permitindo refletir sobre a tragédia que afeta seu país, imerso em uma guerra de várias décadas, ao produzir um discurso altamente crítico por meio de um tratamento intimista e pessoal.
Desde o princípio da década de 90, Fernando Arias tem exposto freqüentemente na Colômbia e no exterior. Sua obra se encaixa comodamente na tradição neoconceitual, nutrida em igual medida de uma estética duchampiana-dadaísta e da influência do conceitualismo histórico político latino-americano. Seu trabalho em escultura e instalação se caracteriza pela utilização de materiais não convencionais e objetos domésticos que intervém por meio de operações ideológicas de cunho altamente político. Suas referências ao conflito armado e a situação social na Colômbia se combinam com temas de interesse global como a economia neoliberal, a AIDS, a pobreza e a definição de gênero. 
Arias utiliza a linguagem com elegância própria de um mágico das palavras, atribuindo um duplo sentido à expressões populares. Desta forma transgride as limitações impostas pelo costume e a comodidade da linguagem no uso cotidiano com a utilização geniosa da inversão e da paráfrase.
Nos últimos anos Arias tem utilizado o vídeo como meio expressivo por ter um caráter imediato e por sua adaptabilidade às condições de vida que o artista adotou ao se instalar na selva do Chocó em 2006. Lá seu trabalho no campo social tomou forma na criação de Casa Chocolate, um centro cultural criado em colaboração com os residentes da localidade de Nuquí no litoral do Pacífico colombiano e patrocinado pela Fundaçâo Prince Claus de Holanda.

 

Uma seleção das obras mais recentes em vídeo de Fernando Arias, fruto da sua longa estadia em Chocó, se apresentam pela primeira vez nessa exposição na Galeria Eduardo Fernandes: Humanos Derechos (2008), Violín (2007), Izando Bandera (2007), Enjoy your Meal (2008) refletem um tempo respeitosamente intimista, a resistência de uma população ameaçada pelo isolamento, a precariedade, a migração forçada e o racismo. 
A presente exposição inclui a première da instalação de vídeo de quatro projeções Humanos Derechos, 2008 (5’) em que três membros das facções enfrentadas pelo conflito armado na Colômbia e um camponês se desnudam na frente da câmera, destituindo-se dos signos de identidade próprios de cada bando, para permanecer nus, igualados pela sua condição humana. O talento natural de Fernando Arias para brincar com a língua se manifesta no uso de títulos como Humanos Derechos, uma engenhosa inversão de termos que alude à posição ereta dos filmados e ao mesmo tempo denuncia a violação de direitos humanos em situações de guerra.  

O artista comenta: a idéia nasceu da minha necessidade de desvendar a condição humana de cada um destes personagens  da nossa sociedade e colocá-los no mesmo nível, simplesmente com o corpo nu. Desarmados. Cada pessoa foi filmada sob um tempo preestabelecido e suas ações aparecem sincronizadas. A ação de despir-se é uma espécie de metáfora dos passos de maneira inversa, que as pessoas dão ao querer libertar-se seja através da criação de milícias e ideologias ou sendo recrutados sem ter outra alternativa.
Humanos Direitos enfoca nos aspectos humanos das pessoas, seja como combatentes ou como vítima indefesa, nos frentes de guerra e conflitos. Também aponta como o entorno social e as circunstâncias dentro das quais se cresce, muitas vezes levam ao ódio e à intolerância do “outro”.

 

Arias transgride mais uma vez a língua ao nomear o único objeto presenteado nesta exposição Paz Aporte/ A contribution to peace, produzido por Daros Latinamerica em edição limitada. O múltiplo Paz Aporte consiste em uma série de passaportes colombianos falsos impressos em branco – a cor emblemática da paz – com o escudo da pátria alterado, exibindo uma bala de acabado metálico suntuoso e caráter fálico na capa. Com tal intervenção de um ready made, Arias se refere a dois fatos ligados pela condição sociopolítica da Colômbia: comenta amargamente sobre o preconceito que acompanha os colombianos ao atravessar fronteiras com um passaporte que evoca violência, drogas e ilegalidade ao mesmo tempo em que transforma o orgulho pátrio em uma arma letal.

Izando Bandera, 2007 (1’) é uma visão satírica do poder político e sua aliança com o machismo anacrônico que sobrevive na Colômbia. O perfil nu de um homem jovem posa em posição militar de firmeza, enquanto seu pênis se ereta, símbolo de poder falocêntrico dominante no país, ao som do hino nacional. O título dessa obra faz referência aos jogos da juventude em que “içar bandeira” é a expressão associada a uma ereção.

 
Violin, 2007 (10’) é um curta-metragem sobre a cegueira nas suas vertentes real e metafórica, um retrato melancólico e sutil das relações de dependência entre membros de uma comunidade em situações de precariedade. O protagonista é Violín, um menino de onze anos que cuida da sua avó cega, Dona Mauricia, em um barraco chocoano. A passividade que emerge das ações básicas da vida cotidiana destes seres denota a cegueira de uma sociedade diante da pobreza e da falta de assistência médica nestas terras na costa do Pacífico, onde os rejeitados são principalmente afrocolombianos e indígenas. Violín é as mãos, os olhos e os pés de sua avó, guiando e provendo sustento à idosa em troca de sua infância.   

O tempo desta peça de vídeo resume com exatidão poética o ritmo pausado da vida chocoana, onde o tempo se detém, deslizando em letargia pelo sopro do trópico, distendido e aumentado pelo sem-sabor da inércia. A natureza pródiga e selvagem da região mais chuvosa do planeta – cuja biodiversidade é comparável a da bacia amazônica – abriga histórias de deslocamento e instabilidade somente sustentáveis pela força da esperança e da resistência. 
 
Enjoy your meal, 2008 (16 ‘) o barulho de um restaurante em uma cidade moderna contrasta com  as imagens de um barco pesqueiro no Mar Pacífico no litoral da densa selva tropical: a relação entre os dois fatos é imperceptível para o consumidor contemporâneo.

O documentário de Fernando Arias se aproxima da problemática da exploração dos recursos nos países periféricos para satisfazer a demanda dos mercados globais e revela como tal exploração desmedida modifica irremediavelmente as economias e estilos de vida dos países produtores. Enormes, suculentos camarões são pescados na frente das costas do Chocó para satisfazer a demanda dos países “desenvolvidos” de comer o que querem, na hora que querem.
A fabricação artesanal de canoas para a pesca tradicional o inevitável desflorestamento que acompanha a extração de matérias primas aparecem no documentário como fragmentos de uma realidade escondida que avança passo a passo em direção à devastação e conseqüente desocupação dos trabalhadores e deslocamento de populações.

Os fragmentos e as vidas se conectam por meio da cadeia da produção alimentícia na economia global. Seu impacto reverbera em nosso entorno, sejamos conscientes ou não de sua existência.  

Gabriela Salgado
Curadora de programas públicos da Tate Modern
Londres, agosto 2008


Curriculo

Exposiciones Individuales

2008 Fernando Arias, Humanos Direitos, Galeria Eduardo Fernandez, Sao Paulo, Brazil.
2006 Videografía, ATA, Fundación Telefónica, Lima Peru
2003 Fernando Arias. Communion Time. Doque, Barcelona, España
Shot on Location. Museo de Arte Moderno/Universidad Nacional, Bogotá, Colombia
2000 Fernando Arias. Gallery of Modern Art, Glasgow, UK
1998 The Story of Arias. Instalación exhibida simultáneamente en: Whitechapel Art Gallery, London; Camden Arts Centre, London; Royal College of Art, London; Guildhall University, London; Chelsea School of Art, London; Bluecoat Gallery, Liverpool; Glasgow School of Art, Glasgow; Centre for Contemporary Arts Glasgow; Edinburgh School of Art; London Printworks Trust, London, UK (cat.)
Fernando Arias. Chapter Arts, Cardiff, UK. Itinerancia: London Printworks Trust, London, UK; Impressions Gallery, York, UK (1999)
1996 Fernando Arias. Gate Foundation Amsterdam, Holanda
1995 Cuarto frío. Contemporary Art Gallery, Vancouver, Canadá (cat.)
Lujuria. Galería Arte 19, Bogotá, Colombia
1994 Seropositivo. Museo de Arte Moderno, Bogotá, Colombia
1992 Análisis. Museo de Arte, Universidad Nacional, Bogotá, Colombia


Exposiciones de grupo

2008
Planet in Focus International Environmental Film & Video Festival, Toronto, Canada
Subasta Conexion Colombia, Galeria La Cometa, Bogotá, Colombia
Fotología, Mapa Teatro, Bogotá, Colombia
Laboratorio de Investigación/creación, Quindio, Colombia
Queer Here, Queer Now, contemporary video art. Curadoría de John Paul Ricco, V-Tape, Toronto, Canadá.

2007
Oberhausen International Short Film Festival, Alemania
Group show at the Museum of Modern Art. MAMbo, Bogotá, Colombia.
‘Bon Voyaje’ Threshold Arts Space, Perth concert hall and theater, Perth, Escocia.
‘Guestroom #5 Prince Claus Fund’ Museum Het Domein, Sittard, Holanda
Body PoliticX , Witte de With, Center for Contemporary Art, Rotterdam, Holanda.

2006
‘Time’ Threshold Arts Space, Perth concert hall and theater, Perth, Escocia.
Videos+Talk, ATA, Fundación Telefónica, Lima, Peru
Festival de Cine de Derechos Humanos. Vicepresidencia de La República, Bogotá, Colombia. Itinerante Medellín, Pereira, Cartagena, Barranquilla y Cali.
‘Glory Hole’ Architectural Foundation, Curadoría de Pablo León de la Barra, London
Oberhausen International Short Film Festival. Kinomuseum: Curador invitado AA Bronson.
VI International Festival of Performance, Cali, Colombia.
LOOP Art Fair, Mirta Demare Gallery, Barcelona, España
Salon Nacional de Artistas, Bogota, Colombia
Videografias Invisibles, Museo Patio Herreriano, Valladolid, España
Certain Encounters: Daros Latin American Collection, Morris and Helen Belkin Art Gallery, The University of British Columbia, Vancouver, Canadá
Videografias Invisibles, Centro Atlántico de Arte Moderno, Gran Canaria, España

2005
Necessary Journeys, Tate Gallery, London
LUB, LOOP Video Festival, Barcelona, España
Salon Regional de Artistas, Bogota, Colombia
Videografias Invisibles, Museo Patio Herreriano, Valladolid, España
Cantos Cuentos Colombianos, Daros Latinamerica, Zurich, Suiza

2004
Self–ish. Scicult.com, London, UK
Narcochic Narcochoc. Musée International d'Art Modeste, Sète, France (cat.)
Locombia. A Weekend of Events by Four Colombian Artists. Space, London, UK
Way Out/Helena Producciones Project. Elephant & Castle Shopping Centre, London, UK
VIII Bienal Internacional de Cuenca. Cuenca, Ecuador

2003
Stretch. The Power Plant, Contemporary Art Gallery, Toronto, Canadá (cat.)
90: Desplazamientos. Arte colombiano en los 90. Museo de Arte Moderno, Bogotá, Colombia (cat.)
VIII Bienal de La Habana. El arte con la vida. Centro Wifredo Lam, La Habana, Cuba (cat.)

2002
LA Freewaves. Face Value. Contemporary Video Works from Colombia. Museum of Contemporary Art, Los Angeles, USA. Itinerancia: The Americas Society, New York, USA (2003)
Rain Project, FotoFest 2002 The Ninth Biennial International of Photography, Houston, USA
Fluid. Howard Gardens Gallery, University of Wales, Cardiff, UK
Fotofest. Classicism & Beyond. Houston, USA (cat.)
Fresh Art. Business Design Centre, London, UK
Hygiene. The Art of Public Health. London School of Hygiene & Tropical Medicine, London, UK
Primer Concurso y Exposición de Arte en Video de América Latina y el Caribe. Centro Cultural del Banco InterAmericano de Desarrollo, Washington, USA

2001
Fluid. Wolverhampton Art Gallery, Wolverhampton, UK (cat.)
Short Stories. La Fabbrica del Vapore, Milano, Italia (cat.)
Tirana Biennale 1. Tirana, Albania (cat.)
19th World Wide Video Festival. Amsterdam, Holanda
Big River Workshop. Center for Contemporary Art, Port of Spain, Trinidad

2000
Archive of Desires. (Conform to Survive.). Proyecto educativo durante la exposición Protest & Survive. Whitechapel Art Gallery, London, UK (cat. not including Arias project)
Foyer Installation, Whitechapel Art Gallery, London, UK (Septiembre11-25)
www.a-colombian-pope.com. Performance. Westminster Cathedral, London, UK

1999
Cartucho. Cuatro artistas de Colombia. Fernando Arias, Carlos Blanco, Oswaldo Macià, José Alejandro Restrepo. Ex Teresa Arte Actual, México D.F., Mexico
Time—Appendix A. The Artists House, Jerusalem, Israel. Itinerancia: Nazareth Cultural Center, Nazareth, Israel (2000)
II Bienal de Artes Visuais do Mercosul. Porto Alegre, Brasil (cat.)
48a Biennale di Venezia, Venezia, Italy (cat.)
Brixton Prison Artist’s residence. (CD-Rom: For use in HM Prisons Only : Fernando Arias at HMP Brixton.), London
Marginalidad, Culturalismo y Reivindicación. Casa de América, Madrid, España
Twentieth Century Colombian Art. Christie’s South Kensington. Auction 1999-10-12. 35 Fotografias del terremoto en Armenia realizadas como rompecabezas. (cat.)

1998
El cuerpo en/de la fotografía. Museo de Arte y Diseño Contemporáneo, San José, Costa Rica (cat.)
Les mondes du sida. Entre résignation et espoir. Centre d’Art Contemporain, Genève, Suiza. Itinerancia: Centro d’Arte Contemporanea Ticino, Bellinzona, Suiza (cat.)

1997
Arte para Bogotá. Galería Santa Fe, Bogotá, Colombia (cat.)
Así está la cosa. Instalación y arte objeto en América Latina. Centro Cultural/Arte Contemporáneo, México D.F., Mexico (cat.)
Building Site. Architectural Association, London
inSITE 97. San Diego–Tijuana, USA–Mexico (cat.)
Short Cuts: Anschlüsse an den Körper/Short Cuts: Links to the Body. Deutsche Arbeitsschutzausstellung, DASA, Dortmund, Alemania (cat.)

1996
ES96. Primer Salón Internacional de Estandartes. Centro Cultural, Tijuana; Teatro Degollado, Guadalajara; ExTeresa Arte Actual, México D.F., Mexico (cat.)
V Bienal de Bogotá. Museo de Arte Moderno, Bogotá, Colombia (cat.)

1995
Arte y tecnología. Museo de Arte Moderno, Bogotá, Colombia (cat.)
¡Hay pulso! Galería Carlos Alberto González, Bogotá, Colombia (cat.)
Infância perversa. Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brasil. Itinerancia: Museu de Arte Moderna, Bahia, Brasil. (cat.)
FotoFeis. Spirit & Loss. Glasgow, UK
II Salón Pirelli de Jóvenes Artistas. Museo de Arte Contemporáneo Sofía Imber, Caracas, Venezuela
Western Front artist residency, Vancouver, Canadá

1994
Images contre le sida. Centre Georges Pompidou, Paris, France
V Bienal de La Habana. Arte, sociedad, reflexión. La Habana, Cuba (cat.)
Die 5. Biennale von Havanna. Ludwig Forum für Internationale Kunst, Aachen, Alemania (cat.)

1993
Melancolía. Museo de Arte, Universidad Nacional, Bogotá, Colombia
Pulsiones. Museo de Arte Moderno La Tertulia, Cali, Colombia

1992 III Bienal de Arte de Bogotá. Museo de Arte Moderno, Bogotá, Colombia (cat.)


Premios y becas

2006 Prince Claus Foundation Award Casa Choco-Late
2005 Necessary Journeys, Arts Council England, BFI Black World y Tate Modern, London
2004 One to One Bursary, Arts Council England y Live Art Development Agency
2004 Prince Claus Foundation Award, Project Niños Pacificos
2004 Grants for the Arts, Arts Council England, projecto Locombia
2002 Research & Development-Visual Arts Projects Award, London Arts
2002 Space studios award
2002 Individual Artist Award, London Arts
2002 Millenium Award
2002 CIDA Award
2002 Beca de Live Art Development Agency, London
1999 Prince Claus Fund Award, Holanda
1998 London Printworks Trust Award, London
1997 Scottish Arts Council Award
1994 Premio Nacional de las Artes, Ministerio de Cultura, Bogotá, Colombia
1993 Beca Colcultura, Bogotá, Colombia


Obra en Colecciones

Daros Latinamerica, Zurich
Victoria and Albert Museum, London
Museo de Arte Moderno, Bogotá
Essex University, Collection of Latin American Art- Inglaterra
Banco de la Republica, Bogotá
Colecciones privadas en Canadá, Inglaterra, Francia y Colombia.



 
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