artistas | Malu Saddi, 1976

   

 

 

 

 

 
   

Segue abaixo:

1: Textos dos critícos de arte
2: Curriculo da artista

Olhar além no sonho acordado de Malu Saddi 

"O real não é nunca aquilo em que se poderia acreditar, mas é sempre aquilo em que deveríamos ter pensado."  Gaston Bachelard 

A obra da artista Malu Saddi sublinha o carater dinâmico da imaginação por meio da afirmação do ser humano na natureza. Desenvolve uma espécie de inventário próprio envolvido de alquimia e ritual. Apresenta um mundo fantástico que relaciona organismos extraídos e reinventados dos reinos animal, vegetal e mineral - coexistindo no mesmo espaço, flores e músculos, folhas e penas, ossos e pedras, espinhos e sangue. Cria relações de aproximação e contato entre seres distintos, para deixar marcas, contaminar e potencializar as partes; permitindo atravessar-se por outros fluxos. Para ela não existe soberania na natureza - “Eu me relaciono com esses organismos porque eles aguçam meu anseio de contato e me chamam, a pedra, a flor, a pena... Eu os vejo como organismos vivos, da mesma maneira como sou um... Penso o corpo como um espaço de possibilidades que permite a manifestação da fantasia. Busco uma relação de sutileza que não termina com a obra...”, afirma a artista. 
A mão firme segura lápis e caneta para o desenho de traço fino e delicado criar estruturas minuciosas, que avançam lentas sobre o espaço do papel. Os desenhos particularizam instantes de mundos específicos, como se houvesse uma ordem natural em cada desenho e a sua estrutura organizadora fosse descoberta nesse processo. Aqui os elementos parecem estar em constante movimento, tudo é cíclico. Expressa um desejo de continuidade, como se o trabalho não terminasse; fosse circular. Tal proposição é empregada no emblemático desenho de uma coluna vertebral “infinita” cujo desenho é enrolado na base do papel, ação esta que suprime a terminação do desenho, contemplando a idéia de infinitude do corpo. 
Se nos desenhos a artista confronta todo o seu corpo com as grandes escalas do papel em branco; nas fotografias relaciona apenas fragmentos do seu próprio corpo com outros organismos da natureza. A exemplo da imagem onde o dedo balança uma flor pendurada que torna-se mancha na fotografia; com esse gesto a artista destaca que tira a flor de sua imagem inerte de contemplação e a impulsiona a revelar o potencial implícito de desenho que ela carrega dentro de si. O corpo aparece aqui como o elemento que ativa o outro para fora do estado de inércia. O braço pede a pena rosa para continuar a pulsar, sem precisar alçar vôo; percebendo o universo ali mesmo de onde está.  Em outro instante uma pedra apóia o dedo e daí escorre a água.
Os desejos da artista estão ligados ao profundo anseio de encontro com a terra. O sonho de enraizamento para a simbiose do ser com a terra, torna-se perceptível em seus desenhos, onde músculos ampliados se convertem em raízes, que por sua vez estruturam as composições nos desenhos. O corpo é o lugar definitivo de onde flui o repertório pela memória, e para onde retorna para religar o ser. Um dado espiritual sim - transmutação e ciclo.
A potência de sua obra reside na delicadeza e sutileza de suas proposições. É preciso acessar os elementos de algum lugar da lembrança, pois eles são sutis e quase invisíveis. Com o seu trabalho, Malu nos convida a transcender a experiência além da qual conhecemos como estado de vigília/acordados, e a compartilhar instantes e parciais de realidades outras, por meio da imagem poética. Lúcida no seu sonho acordada.

Reginaldo Pereira



Desenho Precioso

Utilizando os tradicionais caneta e papel, o desenho de traço fino e
delicado tece estruturas minuciosas, que avançam lentas sobre o espaço do
papel. A linha do desenho se constrói por voltas, demarcando o seu generoso
tempo de fatura. O trabalho de Malu Saddi toma como desafio perder-se no
emaranhado de linhas, a ponto do desenho indicar uma auto-organização a ser
seguida; desenha o desenho.

Visto por fragmentos, o desenho parece derivar dos cantos e sobras de folha,
aqueles sem importância que fazemos para “viajar” enquanto pensamos ou
fazemos outras coisas. Ampliados no papel em grande escala (além do corpo da
artista), a junção desses fragmentos assumem a aparência de recortes de um
universo fantástico e onírico.

O trabalho tem um sentido de coisa que está em dimensão distante ao alcance
do olhar, e das coisas que se tornam invisíveis no deslocamento cotidiano.
Estruturas que não são suportes para coisa alguma, são desprovidas de
qualquer sustentação. A ampliação desses micro-organismos inventados -asas,
 teias, vegetações, etc. - coloca a fragilidade como condição para o movimento da vida e da natureza.
A artista é consciente de que o tempo lento de fatura do trabalho é
totalmente contrário à velocidade de produção e consumo de imagem na vida
cotidiana (pelo acúmulo, desgaste, repetição, duplicação), e aqui deve haver
uma imersão no interior da ação da construção do desenho. Os rastros e
marcas estão todos lá. Existe uma vontade quase ritualística de desvendar
cada um desses fragmentos de mundo que processa no papel.Torna-os preciosos.
O título de um dos trabalhos indica: “preciosos vasos condutores extraídores
de vida de uma plumagem já falecida.”

Reginaldo Pereira



Curriculo

Educação

1998-01   Fundação Armando Alvares Penteado
                 Licenciatura em Artes Plásticas


Exposições coletivas

2009        "Em movimento", Galeria Eduardo H Fernandes, SP
2008        Presente Fidalga – SESC Ribeirão Preto SP
2008        SP Arte 2008, stand Galeria Eduardo H Fernandes, Pavilhão da Bienal, 
                São Paulo, SP
2006        X Bienal de Santos, Centro Cultural, Santos, SP
2005        Fidalga´05 – Salão de Exposições do Paço Municipal – Santo André SP
2005        Fermento – Ateliê Fidalga – ocupação coletiva em casa – São Paulo SP
2004        I Salão Nacional de Arte de Paraty
2004        XXXII – Salão de Arte Comtemporãnea de Santo André-premiada
2003        Exposição Coletiva de Fotografia, Madrid - Bogotá
2003        XXVIII SARP – Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional – Contemporâneo
2002        "Onze", Galeria Virgílio,São Paulo
2002        "Aqui Ali, Ateliê Alberto, Campinas SP
2001        Mostra da Conclusão de TGI no Centro Cultural São Paulo
2001-05   Frequentando Ateliê Livre com Sandra Cinto e Albano Afonso, São Paulo
2001        XXXIII Anual de Arte FAAP, São Paulo

1999        XXI Anual de Arte FAAP, São Paulo 


Exposições Individuais

2009        "No devaneio nenhuma linha é inerte", Galeria Eduardo H Fernandes SP
2005        MUMA Museu Metropolitano de Arte de Curitiba PR
2005        Museu Vitor Meirelles-Florianópolis SC



 
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